
Contrariando as expectativas de diversos analistas, a China não seguiu o caminho da União Soviética e continua de pé. Seu programa de "dois sistemas, um páis" para Hong Kong parece ter dado certo e o país continua crescendo. Mas, será esse crescimento, um desenvolvimento econômico?
Dentro e fora da China existem pressões para que o país adote um regime democrático de governo. A elite chinesa resiste, alegando que precisa de tempo para fazer as reformas. O exemplo do desmoronamento soviético dá força a este argumento. Além disso, num mundo globalizado, em que existem bilhões de dólares investidos no crescente mercado consumidor chinês e na sua capacidade de produção a baixo custo, alguém ousaria pressionar demais a China. Um bloqueio econômico não causaria uma recessão mundial?
Duas hipóteses assustam atualmente os analistas. A união econômica do Japão com a China. A China entraria com seu mercado consumidor e capacidade de produção a baixo custo, e o Japão entraria com o capital e a tecnologia. Apesar de mutamente benéfica, tal união é improvável por razões históricas e culturais. A outra hipótese, igualmente assustadora, é que esses dois gigantes se enfrentem em uma guerra comercial que levaria o mundo a uma recessão ainda pior.
Chamas e mortes na Capital do Jogo
LAS VEGAS, ESTADOS UNIDOS - Um atentado do grupo terrorista cristão "Últimos Dias" vitimou doze pessoas num cassino em Las Vegas. Sete pessoas morreram quando uma bomba explodiu na cozinha, as demais morreram sufocadas ou pisoteadas durante o incêndio. O grupo "Últimos Dias" tem como ideologia purificar o mundo antes do retorno de Jesus, que eles julgam ser iminente. Las Vegas e Los Angeles são para esses fanáticos as novas "Sodoma" e "Gomorra".
O grupo "Últimos Dias" assumiu a autoria do atentado por telefone. O FBI ofereceu uma recompensa de US$ 50.000,00 por informações que levem à captura do grupo.
EM ERA DO CAOS
Estas guerras civis africanas foram um incentivo à formação da Elite. O continente, por demais conturbado, acaba tendo seu potencial sub-aproveitado, atrapalhando até mesmo as principais atividades ilegais lucrativas. À Elite não interessa quem está no governo da República Democrática do Congo, mas sim minimizar os efeitos da guerrilha neste país.
Sua influência foi determinante para costurar o acordo entre o presidente Kabila e os países vizinhos. Dois agentes da Elite se infiltraram em Ruanda para descobrir as ligações deste país com os gerrilheiros congoleses.
JORNAL DA ELITE
EM ERA DO CAOS
Politicamente, a Elite não tem interesses em Serra Leoa. Porém, as empresas estrangeiras na região têm enfrentado muitos problemas. Não foi preciso muito esforço por parte de alguns elitistas para convencer o governo nigeriano a mandar uma força militar de apoio. Contudo, esta é uma situação provisória.
JORNAL DA ELITE
JORNAL DO BRASIL, QUARTA-FEIRA, 19 DE AGOSTO DE 1998
Capital do Congo fica quase vazia
KINSHASA. Sem eletricidade, cortada pelos rebeldes que se apoderaram da usina hidrelétrica de Inga, a capital da Republica Democrática do Congo, Kinshasa, continuava ontem com suas atividades progressivamente diminuídas, pois a aproximação das tropas guerrilheiras está levando não apenas os estrangeiros a abandonar o país, como os próprios congoleses a procurar abrigo em cidades onde são menores os riscos de combates.
O presidente Laurent-Desiré Kabila dirigiu-se para Harare, no Zimbabue, para participar de reunião com os ministros da Defesa daquele país e também da Namíbia e da Angola, na busca de uma rede de apoio para manter-se no poder. Kabila chegou ao poder em abril do ano passado, depondo o ditador Mobutu Sese Seko, com amplo apoio externo, incluindo o das vizinhas Ruanda, Uganda e Angola. Mas os tutsi congoleses, etnia que formou o maior contingente de seu movimento guerrilheiro anti-Mobutu, se voltaram agora contra ele, aparentemente com o apoio de Ruanda, onde a etnia tutsi é majoritária.JORNAL DO BRASIL, SEGUNDA-FEIRA, 1 DE FEVEREIRO DE 1999
População de Freetown foge
Violência da guerra em Serra Leoa, marcada por mutilações, assusta habitantes da capital
FREETOWN- Centenas de pessoas aguardavam sábado em fila o momento de receber seus passaportes, ao mesmo tempo em que outras tantas ocupavam barcos e helicópteros, num crescente abandono da sofrida e sitiada capital de Serra Leoa. A todo momento a emissora oficial de rádio transmitia apelos à população para não participar do êxodo, afirmando que a segurança de Freetown está garantida pela forte proteção dada pela Ecomog, a força multilateral que defende o governo do presidente Ahmed Tehan Kabah.
"Ninguém deve deixar o país por problemas de segurança. A Ecomog está revertendo a situação", afirmou um de seus chefes, o general Maxwell Khobe. Suas palavras, no entanto, pouco significaram para aplacar o temor da população quanto a possibilidade de essa força multilateral, liderada pela Nigéria, ser forçada a bater em retirada, deixando Freetown sem defesa contra as forças rebeldes.
O comandante militar nigeriano, general Abdusalami Abubacar, tinha dito quarta-feira última que faria Serra Leoa retomar "a paz e à normalidade" de maneira a que suas tropas possam partir até 29 de maio, data programada para o juramento do novo governo civil da Nigéria. As tropas nigerianas constituem a maior parcela da Ecomog que, juntamente com as mal pagas e indisciplinadas milícias de Serra Leoa, se encarregam da defesa do governo de Kabah.
O exército de Serra Leoa foi desmantelado no ano passado, e muitos soldados que passaram para o lado dos rebeldes conquistaram recentemente amplas regiões do interior do país, em sua campanha para se apossar do governo. Depois de atacarem a capital, nos primeiros dias de janeiro, os rebeldes foram afastados de lá há duas semanas. Embora a contagem de vítimas seja imprecisa, o governo diz que o total aproximado de mortes ocorridas em combate desde dezembro situa-se em torno de 2.500.
Terror - No alto de um abandonado hotel de luxo, helicópteros faziam sábado, por quantia equivalente a US$ 300 por pessoa, vôos de 15 minutos até o aeroporto internacional de Serra Leoa. Barcos que partem da doca central de Freetown são rapidamente ocupados pelas pessoas que para ali se dirigem imediatamente após receberem seus passaportes no Departamento de Imigração. Ontem, nove dos 13 cidadãos indianos que tinham sido seqüestrados pelos rebeldes na semana passada foram libertados e partiram logo a seguir para Conacri, na Guiné. Três outros foram mortos durante o cativeiro e o último está vivo mas ferido, e nada se sabe sobre seu paradeiro, informou uma fonte do Consulado Geral da Índia.
Centenas de pessoas permaneciam ontem com as mãos amputadas no Hospital Connaucht, de Freetown, transformado num cenário de horror. Em silêncio, elas ruminavam sua ânsia de vingança. As ataduras que envolviam seus pulsos ainda mostram marcas de sangue, mas as vítimas não se queixam; apenas esperam que os mesmos machados com que foram seccionadas suas mãos sirvam também para desmembrar os rebeldes.
Laman Yusuf, de 37 anos, é um destes. Ele vivia em Kissi, uma aldeia a leste de Freetown onde o guerrilheiros chegaram à noite, no início de janeiro, em busca de "colaboradores do governo". Yusuf conta: "Eles nos tiraram de nossas casas e disseram que iríamos ficar sem mãos por apoiarmos o presidente. Éramos 50 e de todos nós cortaram as duas mãos. Durante três dias fiquei escondido, por vergonha de mostrar como haviam me deixado, até que vim para cá".
A Igreja Católica denunciou que os rebeldes mataram uma freira e outras duas mantidas em seu poder também morreram quando serviam de escudos humanos durante um combate a leste de Freetown. No entanto, outros quatro religiosos seqüestrados pelos guerrilheiros conseguiram fugir. As seis freiras e um padre tinham sido seqüestrados no dia 14 de janeiro numa missão em Freetown.
Segundo os sobreviventes, os guerrilheiros assassinaram a sangue frio a missionária Eloisa Maria, que pertencia à ordem fundada por madre Teresa de Calcutá, por ser demasiado fraca para segui-los. Uma das religiosas que conseguiram fugir foi ferida à bala e transferida para a Guiné num helicóptero da ONU.
Humilhante - O padre espanhol Luis Pérez Hernandez, que foi seqüestrado pelos rebeldes no dia 12 de janeiro e conseguiu fugir 10 dias depois, aproveitando-se da confusão causada por um bombardeio, relatou momentos de terror. "No primeiro dia do seqüestro, nos esbofetearam e desnudaram. Foi humilhante. Toda a tarde, os homens voltavam bêbados e drogados. Neste momento, tudo podia acontecer", contou.
O padre, que escapou junto com o arcebispo de Makeny e outros cinco religiosos, teme que guerra se torne endêmica no país. "Nenhum dos lados tem poder para ganhar. Sei que é difícil pensar em pactuar com pessoas que mutilam inocentes, mas o out6ro lado também mata indiscriminadamente. O Exército diz que as marcas nos ombros identificam os rebeldes que carregam armamento, mas quem não carrega água, lenha, qualquer coisa em Serra Leoa?"
Como foi visto na primeira edição de Era do Caos, o problema em Serra Leoa não foi solucionado e a ONU acabou tendo que enviar uma força de paz. A Elite está bem intrigada com essa perseverança dos guerrilheiros de Serra Leoa, isso porque eles não consideram ou subestimam a participação de elementos sobrenaturais no conflito, particularmente de feiticeiros.